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Por dentro da Economia | O comércio e a isenção do IR

No início deste ano passou a valer a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, aposentados e pensionistas com vencimentos até R$ 5 mil mensais, e a redução gradual para as faixas de renda até R$ 7.350,00/mês. Isso aumentará a renda disponível, aquela que sobra depois dos descontos, como o do INSS e outros.

Esta política pública implicará na renúncia fiscal de cerca de R$ 26 bilhões, pois aproximadamente 15 milhões de pessoas deixarão de recolher o IR. Em compensação, aqueles que recebem acima de R$ 60 mil ou R$ 88.200,00 – tetos anuais da isenção total e da redução gradual de IR, respectivamente – bem como os recipientes de dividendos, pagarão mais imposto. O governo estima que 141 mil pessoas com alta renda deverão compensar esta renúncia fiscal.

Para o País, a condução da política fiscal deficitária tem preço. Ao mesmo tempo em que eleva déficit e dívida pública, o governo tem se empenhado em elevar a carga tributária. Por um lado, o comportamento dos gastos causa riscos pelo que produz sobre a dívida e a inflação, enquanto que, por outro, diminui a capacidade de consumo e investimento, inibindo a demanda, sob certos aspectos, e comprometendo o crescimento.

Gradativamente percebe-se que a vida se torna mais difícil. Principalmente quando a inflação, que permanece acima de 3% ao ano, e os juros, na casa de 15% ao ano, são sufocantes para o setor produtivo e o consumo – o que só eleva o endividamento das empresas e das famílias, retardando a elevação do PIB.

Mas, voltando à isenção do IR até R$ 5 mil/mês, como as pessoas deverão aproveitar este benefício?

Todo começo de ano caracteriza-se pelo reajuste das despesas correntes das famílias. Condomínio, matrícula e mensalidade escolar, uniformes e outros gastos que, vinculados ao (novo) salário mínimo, sobem. A esse conjunto somam-se os gastos pretéritos como os parcelados da Black Friday e do Natal, da virada do ano e os das férias. São pressões orçamentárias que, se não forem bem organizadas, podem levar ao desequilíbrio das contas e ao endividamento.

Para quem estiver endividado, o impacto poderá ser significativo, diante da possibilidade da quitação de débitos. Mas, talvez isso não aconteça. Intuitivamente, esse segmento social poderá se voltar para o consumo em virtude da demanda reprimida, sendo grande a propensão aos gastos. Se assim for, o cenário a se construir seria o de mais consumo. Na faixa superior a R$ 5 mil, mesmo sendo menor o alívio financeiro, ainda assim o consumo poderá ser incrementado, embora nesse segmento social haja uma propensão maior para poupar.

Nessas condições, o comércio deve ficar atento para criar oportunidades a fim de atrair o consumidor, oferecendo novidades, promoções e, principalmente, preço. A sugestão seria desenvolver estratégias de vendas para os produtos voltados às faixas de renda beneficiadas com a nova lei fiscal, pois será a que consumirá mais, relativamente.