A construção de um megaempreendimento imobiliário na área do conhecido Buraco do Lume, no Centro do Rio, vem sendo combatida desde o primeiro minuto pelo SindilojasRio e pelo CDLRio, em apoio a comerciantes e empresas da região que temem o impacto negativo da iniciativa.
Tão logo o projeto veio a público, em janeiro do ano passado, as duas entidades manifestaram-se contra a construção do empreendimento no Buraco do Lume, marco histórico e cultural do Rio de Janeiro, e pediram sua preservação em uma carta encaminhada ao agora ex-prefeito Eduardo Paes. No documento, as entidades apontaram os impactos negativos com prejuízos históricos, culturais, ambientais, urbanos e econômicos que a iniciativa poderá provocar.
O megaedifício será erguido entre as avenidas Primeiro de Março e Rio Branco, uma área já densamente verticalizada, acabando com uma das últimas e belas áreas verdes do Centro – um verdadeiro oásis para a convivência e a circulação urbana – o que vai piorar a qualidade do ar e a mobilidade viária, entre outros efeitos negativos para a região.
“Além de acabar com um local histórico, a construção agravará os já sérios problemas de mobilidade urbana e aumentará o calor no Centro. Por consequência, prejudicará também o comércio e outras atividades empresariais ali instalados, que há anos sofrem com a degradação da região. O Buraco do Lume é um espaço histórico, palco de manifestações democráticas e de convivência pública, que deve ser preservado e valorizado como parte da identidade carioca”, afirma o presidente do SindilojasRio e do CDLRio, Aldo Gonçalves. Ele lembra ainda que no Centro do Rio não faltam terrenos nem imóveis mal utilizados ou mesmo abandonados que precisam ser revitalizados ou podem ser aproveitados em projetos desse porte.
O Buraco do Lume esteve protegido contra a especulação imobiliária por décadas. Porém, o destombamento do local foi aprovado pela ALERJ em 2022 e sancionado pelo governador Cláudio Castro (Lei estadual nº 9975/2023), abrindo caminho para a aquisição do terreno por uma empreiteira.
Contrários ao projeto, o SindilojasRio e o CDLRio continuam mobilizados e unidos aos esforços de outros movimentos e entidades que lutam pela revitalização do Centro, mas de maneira sustentável, respeitando e preservando as características culturais, históricas, ambientais e econômicas da região.
No início de maio, o deputado federal Chico Alencar (PSOL) obteve uma liminar que suspendeu os efeitos da licença concedida pela prefeitura para construir o megaprédio residencial no terreno do Buraco do Lume, como parte do projeto Reviver Centro. No entanto, no fim de maio, a 14ª Vara de Fazenda Pública revogou esta liminar. Com isto, já neste início de junho, a empresa responsável pelo projeto derrubou quase todas as árvores existentes no terreno.
O presidente do SindilojasRio e do CDLRio reforça que iniciativas visando à revitalização do Centro para que a região retome seu dinamismo econômico são bem-vindas e fundamentais, mas a construção de um edifício de 20 andares com mais de 600 apartamentos no Buraco do Lume não está entre elas. “O efeito será contrário a esse objetivo”, critica.
