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Segue tudo igual, com juros de 15% ao ano

No mundo em que vivemos, as empresas necessitam de consumidores para poderem ser recompensadas pelo esforço produtivo. Nesse sistema de transformação, agregação de valor e vendas, a ação dos agentes cria bem-estar e gera prosperidade, na medida em que se reúnem condições para isso.

No final de janeiro, com a decisão do Copom de fixar a Selic em 15% ao ano — maior patamar em 20 anos e que perdura desde junho de 2025 —, a medida segue interferindo no funcionamento do sistema econômico, atingindo a capacidade de as empresas poderem vender e de os consumidores adquirirem produtos e serviços para manter sua qualidade de vida.

Consequentemente, o fluxo de bens e serviços segue em um patamar inferior ao que poderia ser; os negócios permanecem em ritmo menor; o dinamismo da economia arrefece e, com isso, espontaneamente, menos consumo, emprego, renda e pagamento de impostos são gerados.

É certo que o crescimento fica comprometido, assim como seus efeitos virtuosos. Nessas condições, quando mira o centro da inflação, o país retarda o processo de desenvolvimento e de diminuição das desigualdades.

Sem a mudança dos juros básicos, a escolha racional passa pelo aproveitamento das inúmeras taxas ofertadas pelo Tesouro, bancos e corretoras, em detrimento das atividades geradoras do fluxo real de bens e serviços. Com retornos estupendos, as aplicações podem render mais do que o suor despendido nas iniciativas produtivas.

Há tempos acompanha-se a política monetária ativa combinada com a política fiscal expansionista. Os resultados vêm sendo juros altos, que elevam a dívida do governo, ao mesmo tempo em que gastos em excesso expandem a demanda do setor público, observada pelos déficits, pressionando a inflação.

Diante desse cenário meio turvo, se os juros altos dificultam vendas para segurar a inflação, as decisões de aumento da carga tributária atingem o setor produtivo em suas artérias, acarretando custo de produção maior, elevando preços e embarreirando investimentos.

É fácil reconhecer: assim, o sistema de produção e vendas precisa de mais fôlego para continuar funcionando, enquanto seus benefícios ficam postergados ou distantes.

Conclusão: no ambiente em que os juros reais são estratosféricos, conduzir uma empresa significa despender energia adicional, porque, na maior parte do tempo, a situação conspira contra.

Aldo Gonçalves é presidente do CDLRio e do SindilojasRio.