Mais de 40 mil empresários e executivos de mais de 100 países, em busca de insights e novas ideias para aprimorar os seus negócios, se reuniram para compartilhar experiências e visões sobre o futuro do varejo na 116ª edição do Grande Show da National Retail Federation (NRF), realizado entre os dias 11 e 13 de janeiro em Nova Iorque. Mais de 2.500 participantes brasileiros marcaram presença na NRF 2026.
Este ano, o tema central foi “The Next Now” (“O Futuro é Agora”), com destaque para o uso de sistemas de Inteligência Artificial Agêntica, que têm capacidade de agir de forma autônoma para tomar decisões, estabelecer metas e executar fluxos de trabalho complexos com supervisão humana mínima.
O vice-presidente de Marketing do SindilojasRio, Juedir Teixeira, PhD em Gestão do Varejo e fundador e CEO da JTB Consultoria, que há 20 anos leva grupos de empresários brasileiros ao Big Show da NRF e realiza palestras sobre as novidades apresentadas na maior feira do varejo mundial, destacou alguns dos insights mais significativos discutidos na edição de 2026:
O Futuro é agora
O conceito “The Next Now” encapsula o espírito da NRF 2026, indicando que o futuro do varejo já está se desenrolando no presente. As soluções apresentadas estão em operação e gerando resultados concretos, especialmente em eficiência, personalização e escala. Em outras palavras, não se trata de previsões, mas de ações já estabelecidas. O varejo que aguarda condições ideais corre o risco de perder relevância. A verdadeira transformação ocorre agora, por meio de decisões pragmáticas e uma execução consistente.
Agentic Commerce (comércio agêntico) inaugura uma nova lógica de consumo
Um dos destaques da NRF foi o lançamento do UCP (sigla em inglês para Universal Commerce Protocol – Protocolo de Comércio Universal), do Google, criado em parceria com grandes empresas varejistas, como Shopify e Walmart. O UCP é um padrão aberto projetado para transformar interações com IA em vendas instantâneas, reduzindo atritos na jornada de compra. Permite que agentes de IA realizem pagamentos e gerenciem pedidos com segurança, de forma autônoma.
IA como infraestrutura
A inteligência artificial tornou-se fundamental nos negócios, sustentando operações e otimizando áreas como logística e personalização. Ela deve ser integrada de modo estratégico em toda a estrutura empresarial, passando de uma ferramenta pontual para uma parte essencial do funcionamento.
Tecnologia e problemas reais
Inovações sem estratégia clara podem resultar em frustração. O enfoque deve ser em tecnologias que simplifiquem processos e melhorem a experiência do consumidor. A Louis Vuitton é um exemplo de como a IA pode personalizar experiências e aprimorar o atendimento, mantendo a essência da marca com responsabilidade e confiança.
Importância dos dados
Além de coletar dados, os varejistas estão estruturando a governança desses dados para transformar insights em decisões rápidas e seguras. O uso eficaz de dados e de IA permite tomadas de decisões organizadas, diminuindo riscos e aumentando a agilidade.
Experiência do cliente como diferencial
A experiência do cliente cada vez mais é o centro da estratégia, priorizando personalização e conveniência para fomentar a fidelização e o crescimento contínuo.
Omnicanalidade deixa de ser diferencial
A integração entre as dimensões física, digital e mobile não é mais opção; é necessidade. O consumidor transita entre canais sem perceber barreiras, e o varejo deve acompanhar esse comportamento de maneira fluida. O FairPrice Group, rede varejista líder de Singapura, demonstrou que a omnicanalidade já faz parte da operação diária. A loja do futuro já é a do presente: opera de forma integrada, conectando dados, sistemas e jornadas sem separações de canais. O cliente navega naturalmente, enquanto a tecnologia atua nos bastidores para reduzir atritos, esclarecer informações e apoiar decisões em tempo real no ponto de venda. Nesse modelo, a integração é vista não como inovação, mas sim como parte do funcionamento cotidiano da loja.
IA conversacional evolui para agente de compras
A inteligência artificial conversacional avança para o papel de agentes de compras, proporcionando uma nova e envolvente experiência para os consumidores.
IA como agente de compras
Assistentes inteligentes evoluem para vendedores digitais, que compreendem contexto, histórico e intenção do usuário e oferecem recomendações em tempo real. Michael Rubin, CEO da Fanatics, plataforma esportiva digital global que abrange diversos negócios, discutiu um varejo mais conectado à demanda real, que acelera o tempo entre a identificação do desejo do cliente e a entrega do produto, usando estruturas flexíveis e sensíveis a mudanças de mercado.
Reinvenção da loja física
As lojas físicas tornam-se locais de experiência, relacionamento e construção da marca, com apoio da tecnologia e dos dados. A Dick’s Sporting Goods destacou como lojas podem se transformar em espaços estratégicos de crescimento, mesmo com a predominância do ambiente digital.
Pessoas no centro da transformação
Apesar da automação, a NRF enfatizou a importância da cultura, da capacitação e do engajamento das equipes para transformar tecnologia em valor. A REI (Recreational Equipment, Inc.), uma das maiores e mais renomadas redes de varejo americanas especializada em equipamentos para atividades ao ar livre, e o FairPrice Group destacaram que pessoas são cruciais para o sucesso no varejo, com a tecnologia apoiando – e não substituindo – a experiência humana.
Protagonismo dos ecossistemas abertos
Parcerias entre grandes players indicam um futuro colaborativo no varejo, com plataformas abertas e interoperáveis ganhando destaque.
Inovação para todos os negócios
A inovação não se limita às grandes redes. Amazon e PepsiCo mostraram que organização, clareza e foco no cliente são estratégias acessíveis a empresas de todos os tamanhos. O FairPrice Group destacou que testar soluções e usar dados, diariamente, permite ajustes rápidos, algo que qualquer empresa pode adotar.
Eficiência operacional como estratégia
Automação de estoque e previsão de demanda com IA foram temas centrais, visando margens mais saudáveis. Amazon e PepsiCo mostraram que a IA conecta toda a operação, do primeiro contato à entrega, tornando vendas e cadeias de suprimentos mais eficientes.
Importância do propósito e responsabilidade
Avanços tecnológicos, sustentabilidade, impacto social e a ética nos dados são expectativas claras do consumidor. A REI demonstrou que o varejo cresce ao alinhar propósito, cultura e experiência do cliente, com decisões estratégicas guiadas por missão e comunidade.
Inovação contínua e integrada
Na operação, a inovação agora é interativa e incremental, constantemente testada e ajustada com base no comportamento do cliente.
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