Na Copa do Mundo, comércio do Rio joga para conquistar o consumidor e vender mais.
Muito além das quatro linhas, a Copa do Mundo provoca emoções, reúne pessoas e movimenta setores inteiros da economia. No Rio de Janeiro, cidade em que futebol, rua, bar e convivência social fazem parte da cultura urbana, o Mundial representa uma oportunidade estratégica para o comércio transformar paixão em vendas.
De um lado, torcida vibrando em bares, restaurantes e eventos lotados; do outro, vitrines e produtos temáticos, promoções relâmpago e consumo por impulso. Os lojistas do Rio apostam nesta receita para aquecer os negócios.
Uma pesquisa da Creditas em parceria com a Opinion Box mostra que 74% dos brasileiros pretendem gastar dinheiro durante o torneio. Entre eles, 80% admitiram que podem gastar sem planejar e 47% afirmaram que devem aumentar os gastos a cada vitória do Brasil.
Além da maior procura por televisores, a Copa do Mundo impulsiona as vendas de roupas, acessórios e artigos de decoração temáticos e nas cores do Brasil; bebidas; itens para churrasco, bandeiras e cornetas, e produtos voltados às confraternizações entre amigos e familiares.
No clima da Copa do Mundo, diversos shoppings cariocas estão promovendo ações para atrair o público e ampliar a circulação de consumidores. Entre as iniciativas, estão em destaque os espaços destinados à troca das cobiçadas figurinhas do álbum da Copa, decorados em verde e amarelo e preparados para receber famílias, crianças e colecionadores.
No aquecimento pré-Copa, o Barra Garden Shopping e o Aerotown Power Center, na Zona Sudoeste, além de instalarem espaços de convivência para a troca de figurinhas, promoveram torneios de Futebol de Mesa – o popular futebol de botão – em parceria com a Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ). A ação, que propiciou a consumidores e participantes dos jogos uma experiência lúdica e singular, uniu diferentes gerações em torno da paixão pelo futebol, incrementando o fluxo de frequentadores, que foram assistir aos torneios e, claro, aproveitaram para fazer compras.
O Shopping Metropolitano Barra está realizando a Expo Lendas do Futebol, mostra gratuita que celebra a história das Copas do Mundo com a exposição de camisas de seleções nacionais, bolas oficiais que marcaram edições do torneio, como Telstar, Jabulani e Brazuca, e réplicas da Taça Jules Rimet e da atual Taça da Fifa.
Mariana Figueiredo, head comercial da Americanas, uma das maiores varejistas do país, conta que, além de snacks, bebidas, acessórios de torcida, televisores, itens de utilidade doméstica, como fritadeiras elétricas e churrasqueiras portáteis, e o álbum de figurinhas, é grande a procura por camisetas e chinelos temáticos, seguindo a tendência global de moda e estética que exalta a identidade e a cultura popular brasileiras e tem sido chamada de Brasilcore.
Uma pesquisa do CDLRio e do SindilojasRio indicou que os comerciantes estão otimistas com a Copa do Mundo. A maioria dos lojistas ouvidos acredita que as vendas devem registrar um aumento de 2,5% em relação à Copa do Catar, em 2022. O presidente do SindilojasRio e do CDLRio, Aldo Gonçalves, ressalta que a Copa do Mundo traz inúmeras oportunidades para empresas de todos os portes e segmentos do comércio de bens e serviços e, também, favorece a criação de vagas temporárias e o empreendedorismo.
“O comércio está investindo em campanhas promocionais, combinando compras, sorteios e premiações. Este movimento ganha força nas redes sociais, com ações em tempo real, memes e promoções relâmpago. À medida que a Seleção Brasileira avançar na Copa, o otimismo aumentará e, consequentemente, o consumo”, afirma.
Vale lembrar que o comércio, assim como outros empreendimentos, deve respeitar as restrições legais relacionadas ao uso da marca Copa do Mundo. A Fifa possui proteção sobre nomes, símbolos e expressões oficiais do torneio, o que exige cuidado para evitar associações indevidas. A alternativa mais segura é apostar em abordagens genéricas ligadas ao futebol, à torcida e à confraternização, sem uso promocional da marca oficial.
Mais que um evento esportivo, um fenômeno de mobilização social e econômica
Os jogos do Brasil, na fase de grupos da Copa do Mundo, devem lotar bares e restaurantes em todo o país. Com partidas marcadas para o período da noite e em dias considerados estratégicos, o torneio criará um cenário positivo para quem pretende assistir aos jogos fora de casa, em clima de torcida, confraternização e consumo.
A estreia da Seleção Brasileira será num sábado, 13 de junho, às 19h, Dia de Santo Antônio, a primeira data importante das festas juninas que agitam o país. A segunda partida acontecerá numa sexta-feira, às 22h, enquanto o terceiro jogo da fase de grupos será realizado em pleno Dia de São João, 24 de junho, uma quarta-feira, às 19h.
A combinação de partidas noturnas, fins de semana e as tradicionais festas juninas promete se transformar em uma grande comemoração, de preferência movida a muitos gols do Brasil, estimulando encontros entre amigos, colegas de trabalho e famílias em bares, restaurantes e eventos.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o calendário vai favorecer especialmente os estabelecimentos que apostarem na transmissão dos jogos, com telões, decoração temática, promoções e experiências coletivas para os consumidores durante o Mundial.
No Rio, onde o futebol está no DNA da cidade, enquanto a Seleção estiver em campo, em busca da sexta estrela, o comércio carioca também estará jogando. Para conquistar a torcida com produtos e experiências que tornem a Copa do Mundo de 2026 um momento inesquecível.
Que venha o Hexa!
