Mulheres são maioria em empregos formais e são 47% dos empreendedores Por Aldo Gonçalves
O percurso percorrido pelas mulheres brasileiras na sociedade e na economia tem sido marcado por lutas e conquistas na obtenção crescente da equidade com o gênero oposto.
Se antes as mulheres eram consideradas sexo frágil, as gerações de hoje desconhecem a expressão. Com conquistas, passaram a competir em igualdade com os homens, ganhando espaços em praticamente todas as áreas e atividades, por meio da competência, capacidade, aptidão e adaptabilidade.
Retrospectivamente, as vitórias sancionaram o poder de contribuição das mulheres no sentido de uma sociedade mais justa e moderna, preenchendo relações que pendiam em favor dos homens e desconstruindo retrocessos.
Assim, em 1932 puderam votar e se candidatar; em 1962 tiveram emancipação e autonomia para a escolha de não engravidar; depois, a Lei do Divórcio, em 1977, revogou o desquite, oportunizando novos casamentos; a Lei Maria da Penha, em 2006, coibiu a violência doméstica e familiar contra elas; e, em 2015, a tipificação do feminicídio como homicídio qualificado aumentou o peso da lei para infratores.
Os números do mercado de trabalho e empresarial são expressivos quando retratam a participação feminina de maneira absoluta, ao competir com os homens.
Exclusivamente no município do Rio de Janeiro, em 2025, entre admissões e demissões, o saldo do emprego formal atingiu mais de 36 mil vagas. As mulheres foram responsáveis pelo preenchimento de quase 60% dessas vagas, com cerca de 22 mil, enquanto os homens responderam por aproximadamente 18 mil, perto de 40%.
A maior demanda de emprego de mulheres aconteceu junto às micro e pequenas empresas, com mais de 14 mil novos postos; nas médias e grandes empresas, com mais de 6 mil ocupações; e nas organizações sem fins lucrativos, com quase 3 mil.
Já a distribuição do emprego feminino por setor da atividade econômica do município carioca indica grande parte alocada nas atividades terciárias, como nos serviços (mais de 15 mil), no comércio (mais de quatro mil) e na construção (609).
Os números do empreendedorismo feminino se tornam robustos quando se mede a inserção da mulher no estado, por meio das atividades do MEI (microempreendedor individual). No fechamento de 2025, o total somava quase 2 milhões de registros, sendo 839 mil de mulheres (quase 47%).
No município do Rio de Janeiro, a relação aumenta um pouco, destacando proporcionalmente o papel delas junto às iniciativas microempreendedoras. Na cidade, as mulheres representam mais de 48%, com 358.600 negócios, enquanto os homens possuem cerca de 387.500.
As mulheres dividem com os homens praticamente todos os segmentos empresariais do MEI e destacam-se com superioridade em atividades mais características, entre elas: cabeleireiras, comércio varejista de óticas, promoção de vendas, atividades de tratamento de beleza e serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas.
Apesar dessa constatação, o Rio de Janeiro se constitui no principal estado da Federação em que a participação relativa das mulheres no desenvolvimento de negócios é maior. Do total de 2,5 milhões de empreendedores, os homens representam 62% (1,55 milhão), ao passo que as mulheres chegam a 38%, com mais de 964 mil empreendedoras.
Todos esses dados evidenciam a força da inserção feminina no mercado de trabalho, bem como a capacidade de permanência na ocupação dos postos. Isso tem a ver com o compromisso em favor da empresa, o fato de serem mais estudiosas e dedicadas, e dispostas a encontrar soluções. Também há a questão de que a liderança feminina empodera ao inspirar e influenciar outras mulheres.
Aldo Gonçalves é presidente do CDLRio e SindilojasRio.
Publicado em 10 de junho de 2026 no jornal Monitor Mercantil.
