O Rio de Janeiro não vencerá seus desafios econômicos enquanto a violência continuar fazendo parte da rotina da cidade. Mais do que um problema de segurança pública, a criminalidade tornou-se um obstáculo ao desenvolvimento, à geração de empregos, aos investimentos e à qualidade de vida.
O comerciante conhece essa realidade como poucos. Ao abrir as portas diariamente, ele convive com a insegurança que afasta consumidores, reduz a circulação de pessoas, encarece seguros, exige investimentos permanentes em vigilância e tecnologia e aumenta os custos de toda a operação. É uma conta que ultrapassa os limites das empresas e acaba sendo paga por toda a sociedade. E nessa conta nem estamos incluindo a perda irreparável de vidas e o terror imposto a comerciantes em várias regiões da cidade.
A percepção de insegurança não é fruto apenas da sensação das pessoas. Dados recentes do Instituto de Segurança Pública mostram que roubos de veículos e de cargas continuam pressionando o ambiente econômico do estado. Ao mesmo tempo, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou que o Rio de Janeiro esteve entre os poucos estados que registraram aumento dos roubos e furtos de celulares em 2025, um retrato que ajuda a explicar por que a população convive com o medo em seu cotidiano.
Os reflexos dessa realidade vão muito além das ocorrências policiais. Quando consumidores evitam determinadas regiões, quando empresários adiam investimentos, quando turistas deixam de circular livremente ou quando mercadorias precisam vencer uma logística cada vez mais cara e complexa, toda a economia perde dinamismo. O comércio sente esses efeitos de forma imediata, mas seus impactos alcançam toda a cadeia produtiva e comprometem a capacidade de crescimento do estado.
É preciso reconhecer que segurança pública não se constrói apenas com policiamento. Ela depende de inteligência, integração entre os poderes, combate efetivo ao crime organizado e continuidade das políticas públicas. E depende também de educação de qualidade, saúde eficiente, mobilidade urbana, qualificação profissional e oportunidades de trabalho. Essas áreas não competem entre si; ao contrário, são partes de uma mesma estratégia para tornar o Rio mais seguro, mais competitivo e socialmente mais justo.
O debate ganha ainda mais importância às vésperas de um novo ciclo eleitoral. Não se trata de escolher este ou aquele candidato, mas de compreender que as decisões tomadas nas urnas definirão quem terá a responsabilidade de formular políticas públicas capazes de enfrentar problemas que se arrastam há décadas. O eleitor tem o direito – e o dever – de avaliar propostas, capacidade de gestão, compromisso com o desenvolvimento e disposição para apoiar os setores que geram emprego, renda e arrecadação.
O comércio é um dos maiores empregadores do país e um dos primeiros setores a sentir os efeitos das boas e das más decisões do poder público. Quando a segurança melhora, as ruas voltam a ser ocupadas, os investimentos encontram ambiente favorável e a atividade econômica ganha força. Quando ela falha, perde o empresário, o trabalhador e o consumidor. Perde o Rio de Janeiro.
Mais do que discutir estatísticas, este é o momento de discutir prioridades. O estado que desejamos construir depende de políticas públicas consistentes, capazes de devolver à população o direito de viver sem medo e de criar um ambiente onde empreender, investir e trabalhar deixem de ser atos de coragem para voltar a ser instrumentos de desenvolvimento. Afinal, tudo o que é bom para o comércio é bom para a sociedade. E tudo o que é bom para a sociedade é, necessariamente, bom para o comércio.
Aldo Gonçalves é presidente do SindilojasRio, do CDLRio e diretor da Fecomércio RJ.
Publicado na edição impressa do jornal Monitor Mercantil em 31 de julho de 2026.
