Evento reuniu empresários, lojistas e profissionais da área contábil para discutir os reflexos das mudanças tributárias sobre as empresas do setor
Os impactos da Reforma Tributária sobre o comércio varejista estiveram em pauta nesta quinta-feira, dia 3 de setembro, durante workshop realizado pelo Polo Saara, no auditório do Sescon/RJ, no Centro do Rio. A iniciativa, voltada especialmente a empresários, lojistas e profissionais da área contábil, contou com o apoio do SindilojasRio.
Com o tema “Os Impactos da Reforma Tributária no Comércio Varejista”, o encontro buscou aproximar dos empresários as principais mudanças que estão transformando o sistema tributário brasileiro, com atenção para seus efeitos na gestão, no planejamento e na rotina das empresas do comércio.

Na abertura do evento, o presidente do Polo Saara, André Haddad, destacou a força do polo comercial, que reúne cerca de 1.200 lojas, e ressaltou a importância do comércio para o Centro do Rio. Haddad também abordou a segurança na região como um dos fatores fundamentais para o fortalecimento da atividade comercial.
Nesse contexto, o presidente do Polo Saara convidou o major Gustavo Valagão, coordenador da Operação Centro Presente no Rio de Janeiro, que falou aos participantes sobre o esquema de segurança desenvolvido na região e destacou a importância do serviço público para os comerciantes e para quem circula pelo Centro da cidade.
A palestra principal foi conduzida pelo professor José Miguel, especialista em Planejamento Estratégico Tributário, que apresentou aspectos da nova estrutura de tributação e pontos que exigem atenção dos empresários durante o período de transição, além dos desafios que empresas e profissionais da contabilidade enfrentarão nos próximos anos para adequar os negócios às novas regras.
“Com a Reforma Tributária, a empresa vai precisar estar com a escrituração fiscal 100% em dia para ter direito aos créditos. O novo sistema amplia muito a possibilidade de creditamento sobre os bens e serviços adquiridos pela empresa, dentro da lógica da não cumulatividade ampla. No regime regular do IBS e da CBS, as aquisições relacionadas à atividade econômica poderão, em regra, gerar créditos para abater os tributos devidos nas vendas.
Isso alcança inclusive bens de uso e consumo da empresa, desde que não sejam de uso ou consumo pessoal. Por outro lado, salários e encargos da folha de pagamento não geram créditos de IBS e CBS”, explicou José Miguel.
O palestrante também ressaltou que a escolha do regime de recolhimento do IBS e da CBS pelas empresas do Simples Nacional deverá levar em consideração não apenas aspectos tributários, mas também o perfil de seus clientes.
“O sistema híbrido deixa de ser apenas uma decisão tributária e passa a ser também uma decisão comercial, porque a empresa precisa considerar quem são os seus clientes. Se vende principalmente para outras empresas que aproveitam créditos de IBS e CBS, optar pelo regime híbrido pode torná-la mais competitiva, porque seus clientes poderão se beneficiar de créditos maiores nas compras. Já uma empresa que vende principalmente para o consumidor final tende a ter menos vantagem comercial nesse aspecto, porque a pessoa física não aproveita esses créditos”, destacou José Miguel.
A realização do workshop reforçou a necessidade de preparação antecipada das empresas para as mudanças previstas pela Reforma Tributária. Nesse contexto, iniciativas de orientação e capacitação tornam-se fundamentais para que o setor varejista possa compreender os novos mecanismos de tributação e tomar decisões mais seguras diante do novo cenário econômico.
O evento foi promovido pelo Polo Saara, com apoio do SindilojasRio, do Sescon/RJ, da Milan & Dill Consultoria e Contabilidade, da Global Opsi, da Log People Gestão de Pessoas e da All Sabor Gastronômico.
