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Artigo | Visão e perspectivas do comércio fluminense

Desaceleração e entraves freiam vendas no Rio de Janeiro.

Aldo Gonçalves
Presidente do SindilojasRio e do CDLRio

O desempenho da economia nacional sofreu desaceleração devido a inúmeros fatores, destacando-se a alta do dólar no primeiro semestre, a pressão sobre a formação de preços, os juros altíssimos e a continuidade do processo de endividamento, tanto de empresas quanto das famílias, influenciando decisões de consumo e investimento.

No cenário nacional, as oscilações das vendas do comércio corresponderam a reflexos desses fatores, principalmente entre abril e julho, quando, pelo critério da variação de um mês contra o anterior, ocorreram quatro quedas sucessivas: abril (-0,3%); maio (-0,3%); junho (-0,1%) e julho (-0,2%), registrando um período de forte preocupação para o setor. Por essa metodologia, no curso de 2025, aconteceram, ao todo, seis variações mensais negativas e seis positivas, evidenciando dificuldades para o desenvolvimento das vendas.

Enquanto o comércio nacional apresentou elevação de 1,6% frente ao faturamento de 2024, no Rio de Janeiro a situação posicionou-se em sentido contrário, levando-se em conta a queda de 1,3%.

Assim, a desaceleração da economia no ano passado também repercutiu no comércio, mas com dinamismo diferente no estado do Rio. Na avaliação do desempenho do setor, por meio da taxa acumulada em doze meses, para o indicador brasileiro, em todos os meses, o resultado foi favorável, ao passo que, no Rio de Janeiro, a partir de março até dezembro, as variações foram negativas.

Em doze meses acumulados, o faturamento do varejo nacional variou de 4% em janeiro para encerrar dezembro com 1,6%; já no comércio fluminense, subiu apenas 0,9% em janeiro para fechar o ano com queda de 1,3%.

Esse balanço indica desafios maiores para o comerciante, principalmente no Rio de Janeiro, diante do ritmo menor (ou decrescente) de evolução em comparação com outros estados.

Isso significa, sem dúvida, a necessidade de implementação de políticas de incentivo ao investimento e ao fortalecimento do setor, bem como a remoção ou mitigação dos impactos produzidos por entraves que assolam comerciantes e aqueles que se aventuram a constituir negócio próprio no âmbito local, por meio de empreendimento comercial.

A lista é grande. Ainda assim, deve-se considerar o peso dos efeitos adversos acarretados pela carga tributária, pela concorrência desleal, pela camelotagem e pelo contrabando, além da violência, dos roubos de carga e veículos e do caos urbano. Reduzir ou eliminar esses óbices já seria um alento para que o comerciante pudesse empreender sua atividade, tendo como contrapartida maior potencial de desenvolvimento e criação de mais empregos.