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Por dentro da Economia | Conjuntura (Des)favorável

Em meados de setembro, a autoridade monetária produziu novo corte da Selic. Assim, o Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), fez com que a taxa básica de juros continuasse em trajetória de queda de 0,25 pp pela quinta vez. No momento, a Selic crava 13,75% ao ano.

Não houve sinalização do Copom do que poderá acontecer daqui para frente com a gradação dos juros primários. Não obstante a isso, a queda de 1,25 pontos percentuais (pp) acumulados a partir de 18 de março até agora representa algum alívio na dívida pública, devido aos juros menores.

Isso porque a relação dívida/PIB vem crescendo e, por extensão, os pagamentos com o custo do endividamento, também. Em 2024, foram consumidos, de recursos públicos com as obrigações, cerca de R$ 950,4 bilhões. No ano passado, os gastos com juros subiram para R$ 1 trilhão. E para o corrente exercício, estima-se que os dispêndios possam alcançar R$ 1,2 trilhão.

Não restam dúvidas que isso desqualifica a gestão financeira do setor público na medida em que o Brasil possui renda média baixa e a relação dívida/PIB tem se tornado preocupante, num estágio com a dos países ricos. Se o país gasta em torno de 8,0% do produto interno com pagamento de juros, a dívida beira 82,5% do PIB e o montante por volta de R$ 10,9 trilhões.

Além do nível de endividamento que os juros produzem sobre os agentes econômicos, os interesses da gestão da política fiscal conflitam-se com os da política monetária.

Em agosto, a inflação caiu 0,32%. A conta de luz ficou mais barata em virtude do bônus Itaipu, puxando para baixo o grupo Habitação em -1,87%. Outros grupos componentes do IPCA que recuaram foram Alimentação e Bebidas, -0,34%; Transportes, -0,86%; e Comunicações, -0,09%. Dos nove grupos, esses quatro constituíram-se nos itens que amenizaram o custo de vida das famílias.

Observando um pouco mais para atrás, o resultado do volume de vendas do comércio varejista não trouxe muito alento para o que se esperava que pudesse ter acontecido em julho. E o dado pode contaminar o que se estima que venha acontecer até o fim do ano, uma vez que a Pesquisa Mensal do Comércio feita pelo IBGE, em julho, registrou queda das vendas no Brasil de 0,8% e no Rio de Janeiro de 1,0%.

A inflação contribuiu para que os consumidores “apertassem os cintos”, tornando-se criteriosos quanto à destinação da renda. Em julho, o IPCA nacional atingiu 0,07%, apenas. Mas, no Rio de Janeiro aumentou 0,30%, determinando restrições orçamentárias para as famílias maiores do que no restante do país.

No acumulado do ano até julho, o faturamento do varejo no Rio de Janeiro, de +1,9%, situou-se ligeiramente acima, puxando a média nacional, +1,8%.

No entanto, no período de doze meses terminados em julho, o varejo fluminense enfrentou mais dificuldades para acompanhar os demais estados. No Brasil, a alta das vendas atingiu 1,9%, ao passo que, por aqui, as vendas elevaram-se 0,9%.

Nessas condições, as previsões do mercado para o IPCA de 2026 apresentam viés de baixa e agora estão em 4,90%. Como a inflação acumulada em doze meses terminados em agosto encontra-se em 4,22%, com as tendências de queda esse pode ser um bom indicativo para a continuidade no corte de juros até dezembro.

Também as escolhas de compras dos consumidores neste final de ano poderão ser mais facilitadas porque os preços podem vir a não subir com exagero, de maneira a atrapalhar as compras para o Dia das Crianças, Black Friday e Natal.