Ao se construir a ideia de um local melhor para viver, o que vem logo à mente é reduzir os indicadores de violência, que estão relacionados a uma complexa teia de problemas estruturais, históricos e sociais, que vão desde as contradições socioeconômicas, passando por disputas territoriais de negócios ilegais, tráfico e armamentos, infiltração política nas hostes do Estado, até os efeitos abrangentes e insuficientes das políticas de segurança.
Esse emaranhado de problemas, junto com outros, tem produzido o encolhimento da importância da economia fluminense, observado pela fuga de grandes organizações, bem como de investidores. Na década de 1970, o Rio de Janeiro participava do PIB brasileiro com 16,7%, consolidando-se como o segundo maior, atrás de São Paulo. Hoje, dados mais recentes mostram que o estado ainda está na mesma posição, mas com contribuição menor, de 11,4%, seguido mais de perto por Minas Gerais, com 9,3%.
A questão fiscal é outro tema sensível, evidenciado pela previsão de déficit anual de quase R$ 19 bilhões, em razão do aumento crescente das despesas, diante de uma arrecadação de R$ 108 bilhões e de uma dívida de R$ 225 bilhões. Ainda que 93% da dívida seja com a União, a relação entre dívida e receita mostra a insustentabilidade dos investimentos necessários à sociedade fluminense, conformando uma trajetória de decadência.
Ao pressupor que o desenvolvimento econômico sustentável poderia ser a chave para o resgate social do Rio de Janeiro, seria irresponsável aprofundar o tema em busca de soluções sem focar em ações para sanar e/ou combater problemas que saltam à vista da população, tais como reduzir a violência e a insegurança; criar condições para atrair capitais, explorando potencialidades promovidas pelos serviços, comércio, turismo e pela indústria de óleo e gás; e fazer ajustes nas finanças, de maneira a capacitar o Estado a realizar o que se espera dele com qualidade e efetividade.
Desenhar um Rio de Janeiro melhor seria começar pelo esboço de um plano estratégico de médio e longo prazos, por meio de medidas práticas e corajosas, em que os bônus e os ônus dos desafios recairiam sobre a coletividade, por meio da troca de interesses em favor das mudanças e dos objetivos a serem conquistados.
O caminho que se vislumbra passa pela construção de um pacto entre sociedade civil, setor privado e poder público e, por extensão, pelo resgate da segurança pública e também pela melhoria das finanças e da capacidade de o Estado atender às demandas. Essas seriam as vertentes para um Rio de Janeiro melhor.
Nesse novo ambiente, na esteira das conquistas, seria possível, então, crer na criação de condições para o aumento dos investimentos em áreas onde existem estruturas potenciais para o crescimento, aproveitando expertises setoriais, cultura e identidade regional.
O pacto acarretaria o desenvolvimento da vocação estadual. Com isso, os benefícios seriam rateados e melhor distribuídos, com as transformações do potencial produtivo em uma realidade mais próspera e duradoura.
Aldo Gonçalves é presidente do CDLRio e do SindilojasRio.
