Nesta quinta-feira, 16 de julho, comemora-se o Dia do Comerciante. A data, que marca o nascimento do político e economista José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, patrono do comércio brasileiro, foi instituída em 1953, pela Lei Federal nº 2.048. É um momento de comemoração para o setor, mas, também, uma oportunidade para discutir os desafios atuais de um dos segmentos mais importantes da economia.
Na cidade do Rio de Janeiro, o comércio – que exerce papel decisivo na geração de empregos, na dinâmica dos bairros, na revitalização dos espaços urbanos e no fortalecimento de outras atividades como turismo e serviços – enfrenta uma situação complexa e desafiadora. A uma conjuntura ainda marcada pela inflação, pelas restrições ao crédito e pelo endividamento alto, somam-se problemas como a violência, a desordem urbana e a informalidade, que impactam o consumo e aumentam o custo de empreender. Simultaneamente, o comércio corre contra o tempo para se adaptar às mudanças da reforma tributária, às novas exigências nas relações de trabalho, ao avanço da inteligência artificial, à transformação digital acelerada e a um consumidor cada vez mais exigente.
Para Aldo Gonçalves, presidente do SindilojasRio e do CDLRio, e também diretor da Fecomércio RJ, o varejo atravessa um período de inflexão que exige decisões cada vez mais rápidas e estratégicas das empresas, por um lado, e de apoio concreto do poder público para se fortalecer e desenvolver, por outro lado.
“Hoje, enquanto precisa se adaptar e investir em inovação, gestão e qualificação, o comerciante continua a enfrentar dificuldades que há décadas limitam o crescimento do setor”, destaca.
Na avaliação dele, a reforma tributária representará um avanço ao simplificar um sistema historicamente complexo, mas exigirá das empresas muito mais do que adaptação operacional.
“Será necessário capacitar equipes, revisar processos, atualizar sistemas e acompanhar de perto a regulamentação. A transição deve ser conduzida com segurança para que o comerciante possa concentrar seus esforços no crescimento do negócio.”
Outra frente de atenção é a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a gestão dos riscos ocupacionais ao incluir fatores psicossociais no ambiente de trabalho. Aldo diz que a preocupação com a saúde dos trabalhadores é legítima, mas sua implementação exige orientação técnica, critérios claros e segurança jurídica, especialmente para as micro e pequenas empresas.
A transformação dos hábitos de consumo também impõe ao varejo novas estratégias. O dirigente ressalta que, mais conectado, mais criterioso e acostumado a transitar entre os ambientes físico e digital, o consumidor exige conveniência, agilidade, personalização e uma experiência de compra cada vez mais integrada. “Inteligência artificial, análise de dados e automação tornaram-se ferramentas obrigatórias de gestão, relacionamento e competitividade”, afirma o dirigente.
Ao lado de todas essas mudanças, antigos problemas permanecem sem solução. A falta de segurança, a informalidade, a pirataria, a burocracia e a dificuldade de acesso ao crédito continuam a prejudicar as empresas que geram empregos, recolhem tributos e atuam dentro da legalidade.
“Quem investe na cidade precisa ter um ambiente favorável para produzir, empregar e crescer. Segurança pública, combate ao comércio informal, simplificação de normas, carga tributária mais justa e estímulo ao empreendedorismo são condições essenciais ao desenvolvimento econômico e social do Rio de Janeiro. E isso só é possível por meio de políticas públicas e ações permanentes, definidas em conjunto com as entidades representativas do comércio”, defende Aldo.
Diante de tantos desafios, ele destaca ainda a importância das entidades representativas do comércio.
“Além de defender os interesses do setor, temos a responsabilidade de orientar, capacitar e preparar as empresas para um ambiente de negócios em constante transformação. O fortalecimento do comércio depende da capacidade de antecipar tendências e, também, da construção de políticas públicas que estimulem o investimento e tornem a cidade mais segura, competitiva e atrativa para quem empreende e para toda a sociedade”, conclui.
Matéria publicada no jornal Monitor Mercantil, em 16 de julho de 2026.
