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Juros elevados atrapalham a economia

É primordial alcançar um nível que estimule o investimento

O varejo nacional tem passado por momentos sensíveis em decorrência dos juros elevados praticados. Nesse cenário, grandes empresas tradicionais encontraram no pedido de recuperação judicial os dispositivos necessários para evitar a falência, após amargarem sucessivos prejuízos e crescimento de dívidas junto a fornecedores.

No estágio atual, em que a economia mostra menor intensidade de expansão, a recuperação judicial é o caminho para a reestruturação financeira das companhias. Ela protege a empresa da falência, a mantém em operação, preserva empregos e fornecedores, bloqueia ações de cobrança e execuções, de certa forma blinda o caixa.

Recentemente, o Banco Central anunciou a sua estimativa do comportamento da economia. Os sinais de que os juros elevados devem estar afetando a atividade econômica podem ser percebidos pela queda do indicador com ajuste sazonal na passagem de maio para junho. A retração do índice decorreu do recuo da atividade industrial bem como do setor de serviços. A agropecuária pode ter sido o vetor que puxou a economia para cima, segundo a autoridade monetária.

Os efeitos dos juros também podem ser observados de outra forma. Sabe-se que parte importante do ritmo esperado da atividade econômica depende fundamentalmente dos investimentos produtivos e do consumo das famílias. Agindo ao mesmo tempo nas pontas da oferta e da demanda, os juros altos estrangulam as empresas.

Na conjuntura em que é mais atrativo aplicar recursos no mercado financeiro do que investir na produção, as empresas enfrentam dificuldades para escoar seus produtos, uma vez que famílias estão endividadas e, por isso mesmo, as compras a crédito se tornaram um fator complicador para a sustentabilidade do orçamento doméstico.

O que se observa no ambiente corporativo é o outro lado dos efeitos dos juros reais elevados. Na verdade, as empresas sofrem com o crédito caro, deparando-se com desafios e riscos para obter novas linhas de financiamento e capital de giro. Logo, o que deveria facilitar a ampliação do negócio vira um estorvo financeiro adiante. Na esteira desses efeitos colaterais promovidos por juros penosos, uma empresa descapitalizada e sem acesso ao crédito perde espaço em um mercado cada vez mais competitivo e seletivo.

Há tempos que o patamar dos juros se constitui numa trava do desenvolvimento, atrapalhando os setores produtivos. Se o país não cresce o suficiente para oferecer à sociedade o dinamismo que ela precisa, alcançar um nível de juros que estimule o investimento é um passo primordial. Tornar o crédito barato e de fácil acesso constitui-se o desafio para alavancar a economia rumo à redução das iniquidades e à promoção da melhoria da qualidade de vida.

Quaisquer esforços no sentido de baixar as taxas devem ser reconhecidos em favor do progresso econômico, material e social. Até que cheguemos à casa de juros civilizados e compatíveis com o crescimento perene, o maior problema reside no tempo em que essa transição poderá acontecer. E, infelizmente, ao que tudo indica, segundo as projeções do mercado financeiro, conviver com os juros básicos na casa dos dois dígitos ainda será o caminho, pelo menos até 2029.

Publicado no Monitor Mercantil em 21 de agosto de 2026.